Os Três Limpa-chaminés e uma bicicleta



A Revista LA CASA SOLLIEVO DELLA SOFFERENZA, de Fevereiro (1-15) de 2007, apresenta umas pinceladas da vida de três irmãos, Silvio, Henrique e Ernesto ZENI, nascidos no povoado de Gavedago, não muito longe de Trento; dados bastante interessantes, que são transcritos aqui um pouco adaptados. Os três, gente simples, fina, quase ingênuos, mas transparentes. Poder-se-ia quase dizer que conservaram a inocência batismal. Os três, por caminhos surpreendentes, chegaram a San Giovanni Rotondo e estiveram a serviço do Padre Pio, verdadeiros filhos espirituais dele. O último a morrer foi Ernesto, em 2006. Um amigo deles, Angelo Vannoni, respigou um pouco do que Ernesto gostava de contar sobre o relacionamento deles com Padre Pio. Assim, mais ou menos, se manifestava Ernesto Zeni:

“Silvio e Henrique, meus irmãos, decidiram, em outubro de 1935, visitar o Padre Pio; viagem em estilo de verdadeira aventura. Iniciaram-na com uma única bicicleta e com as mãos abanando. Ao longo do caminho, limpavam chaminés nas famílias e dormiam nas propriedades dos agricultores: concretamente, nos fornos de cozinhar pão, onde como colchão espalhavam um pouco de palha. E dormiam bem. Às vezes nos depósitos de feno onde abriam um buraco, cobriam a cabeça com o casaco e se enfiavam nesse buraco, permanecendo bem aquecidos. Outras vezes, até nas estrebarias dos animais.

O pó que eles retiravam das chaminés davam-no aos donos da casa, em troca do pernoite. Esse pó servia para afastar os ratos das hortas.
Ao chegarem em San Giovanni Rotondo alguém foi advertir o Padre Pio: “Estão chegando dois caras completamente negros”. Ao que Padre Pio de imediato retrucou: “Negros por fora, mas brancos como a neve por dentro”. E eles permaneceram durante um mês inteiro com o Padre Pio em San Giovanni Rotondo.
Em 1936, os três decidimos ir juntos visitar o Padre Pio, munidos de duas bicicletas. Ao longo do caminho fazíamos o que sabíamos fazer muito bem: limpar chaminés. Eu uma vez limpei uma chaminé alta como os quatro andares da casa: isso por 50 centésimos (uma valentia).

Para termos notícias da mãe, havíamos dado como endereço, a própria sede dos Correios em algumas cidades. Apreciávamos muito as notícias da mãe.
Aconteceu-nos um fato estranho em Viterbo. Estávamos no Correio para retirar a carta que a mãe nos enviara, isso pelas 15,00 horas duma Quinta-feira, quando chegou um agente da policia pedindo nossos documentos. Levou-os e, um pouco depois, retornou para conduzir-nos à Delegacia. Acabaram trancafiando-nos na cadeia, onde permanecemos até Sábado de manhã, quando nos levaram de novo à Delegacia. Nós reclamamos: “Não fizemos nada de mal!” – Responderam-nos: “Não fizeram nada de mal. Mas existe um decreto de Mussolini determinando para toda a Itália que os emigrantes permaneçam nas suas residências”. Depois, levaram-nos à estação ferroviária, despacharam as duas bicicletas e deram-nos passagem de trem até Trento. Em Trento fomos à Delegacia e pagaram-nos passagem de ônibus até em casa. Chegados em casa, tomamos aquele banho! E aí relemos a carta que a mãe nos enviara, na qual nos dizia: “Cuidado, não se deixem prender!” E tivemos que dar umas boas risadas, pois já tínhamos experimentado a cadeia.

Silvio e Henrique fizeram mais uma viagem para San Giovanni Rotondo, em fins de 1936, com uma bicicleta; sempre na expectativa de serem úteis pelo caminho limpando chaminés. Em Bolonha, duas senhoritas quiseram saber porque eles se aventuravam assim. E eles contaram das suas visitas ao Padre Pio. Elas lhes doaram então uma bicicleta (de mulher). Chegados em San Giovanni Rotondo, Padre Pio fê-los permanecer definitivamente aí. Silvio faria de caseiro para o Dr. Sanguinetti e para outros dois médicos. Henrique passaria a trabalhar como empregado de Maria Pyle, a americana convertida pelo Padre Pio.

Eu visitei o Padre Pio, pela primeira vez, em 1942. Era inverno e, em seguida, voltei para casa.
No ano de 1953 morreu a nossa mãe e fiquei sozinho em Gavedago. Os irmãos queriam a todo custo que eu também me transferisse para San Giovanni Rotondo, mas resisti.
Em 1959, recebi um telegrama, nestes termos: “Assunto grave, é urgente vir imediatamente”. Assinado Henrique.
Parti logo, viajei toda a noite, chegando pelas 9,00 horas da manhã. Ao chegar, via na subida o convento. Via-se também um carro fúnebre e gente ao redor. O taxista parou e perguntou quem era o morto. Disseram-lhe que era Silvio. Eu disse ao taxista que Silvio era meu irmão e, na verdade, pus-me a chorar.

À tardinha, com meu irmão Henrique fomos até o Padre Pio, que nos disse: “Coragem, rezemos por ele, porque a morte é como um ladrão que chega em casa e leva embora o mais querido”.
No dia seguinte confessei-me com Padre Pio. Acabada a confissão, perguntou-me: “Ernesto, o que pensas fazer?” – “Padre, volto para casa!” – “Tu deves permanecer aqui, no lugar de Silvio” – “Padre, em casa tenho uma vaca para cuidar e umas poucas coisas” -- “Se tens uma vaca, traga-a para cá” -- “Mas, Padre, custa-me mais a viagem da vaca do que a minha” -- “Então vai, vende a vaca, põe em ordem os negócios e vem para cá o quanto antes”. Era no mês de janeiro. Com pesar, disse-lhe que sim e assim acabei fazendo.
No mês de maio devia vir a San Giovanni. Estava na porta da casa, com a chave na mão para fechá-la e partir, quando chegou um primo meu e perguntou: “Ernesto, para onde vais? Olha o que está escrito no Jornal ‘Alto Adige’: Padre Pio está muito mal, para morrer”. Respondi-lhe: “Vou, ... já o que fiz está feito”.

Chegado em San Giovanni Rotondo, levaram-me ao Padre Pio, que estava de cama gravemente enfermo. Disse-lhe: “Olhe, Padre, cheguei; agora estou sob sua responsabilidade”. Respondeu-me: “Há tanto tempo que te esperava!”. E desde então estou aqui. Desde 1959.

Meu Irmão (Henrique) levantava-se todas as manhãs, pelas 4 horas.
“Henrique, onde vais sempre a estas horas?”
“Vou servir o Padre Pio”.
“E como fazes para abrir a porta?
“Tenho a chave”.
No quarto ajudava Padre Pio, depois levava-o de bracinho para a igreja.

No dia 22 de setembro de 1968, meu irmão Henrique, voltou para casa às 22,30. Perguntei: “Onde estiveste?” – “Estive fazendo companhia ao Padre Pio, porque o Padre Pellegrino não estava; tinha ido à clínica visitar um outro frade doente, fazer-lhe um pouco de companhia e chegou somente agora”.
Pelas 2,30 da noite (início do dia 23), telefonaram-me: “Ernesto! morreu o Padre Pio”.
Traduzido e adaptado por um devoto do Padre Pio.


Fonte: Enviado por Pe. Bernardino