30 dias sem o Pe. Bernardino



Foi no dia 23 de abril, Sábado Santo, que o Pe. Bernardno Trevisan nos deixou, após sofrer um grave acidente por atropelamento na Av. Nossa Senhora das Dores em Santa Maria.
Por isso quando completa 30 dias de sua ausência a Associação São Pio, como também todos os devotos de São Pio que participam da Ermida, neste momento de dor pela perda do seu grande condutor espiritual, ainda consternados prestam esta singela, porém sincera homenagem de agradecimento pelo trabalho que o Pe. Bernardino realizou durante os 7 anos de existência da Ermida de forma incansável. Mesmo nos momentos de algum abalo de sua saúde, nunca deixou de comparecer para as celebrações aos domingos marcados, no 2º e 4º domingo do mês e também quando lhe era solicitado, durante a semana ou nos outros domingos.
Mesmo quando as chuvas dificultavam a subida ao morro e lhe era perguntado se haveria missa, ele respondia prontamente: “ Eu estarei lá”.

Recordamos, dentre muitas passagens, uma que nos parece especial: o Pe. Bernardino sempre perguntava aos presentes quem estava lá pela primeira vez e depois dizia para esses fiéis que observassem que São Pio os acompanhava com o olhar em qualquer canto da Ermida. Isso era marcante para os fiéis. Temos a certeza de que São Pio te recebeu lá no céu, te olhando com o mesmo carinho e ternura com que nos olha lá aqui na Ermida.

O nosso reconhecimento e nossa gratidão por todo o desprendimento e entrega que o Pe. Bernardino teve pela causa de São Pio.
Importante registrar alguns fatos marcantes da vida e obra do Pe. Bernardino, conforme descreve o seu grande amigo Pe. Batista Quaini:

1. Seu nascimento e família

Padre Bernardino nasceu e foi batizado na Paróquia São Marcos de Novo Treviso/RS, hoje capela da Paróquia São Roque de Faxinai do Soturno. Nasceu no dia 14 de junho de 1923 e seus pais foram Jacob Trevisan e Amábile Da Ros. Entre seis irmãos e quatro irmãs ele era o terceiro. Foram também padres palotinos os seus irmãos Alberto, Genésio e Sisto. Três irmãs do Bernardino são Irmãs de Maria de Schoenstatt e, no céu, Bernardino foi unir-se aos seus irmãos padres Alberto e Sisto.

2. Sua formação

Bernardino completou os estudos primários, no Seminário Rainha dos Apóstolos, de Vale Vêneto, no qual entrou em 1935, e fez parte dos estudos secundários naquele mesmo Seminário e os completou no Seminário Diocesano São José, em Santa Maria, orientado pelos padres Jesuítas.
Bernardino estudou dois anos em São Leopoldo, de 1946 a 1947, e de 1948 a 1949, no Seminário Maior de Polêsine que, em 1948, abriu também o curso de teologia com a grande colaboração da Diocese de Santa Maria/RS que ofereceu Mons. Valentin Ferrari como professor de moral. Bernardino fez um ano e meio de teologia em Polêsine: 1948 e parte de 1949. Ele amava também o canto e a música e sabia tocar bem harmônio.

3. Sua ordenação sacerdotal

Ainda sem terminar o curso de teologia de 1949, Bernardino foi ordenado sacerdote por Dom Antônio Reis, no dia 14 de agosto de 1949, na igreja de Faxinal do Soturno. Logo depois da sua ordenação, ele foi enviado a Roma para fazer doutorado em Direito Canônico, na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde esteve de 1949 a 1953, a fim de ser professor no Seminário Maior de Polesine que se tornara também um seminário internacional.

Fez seu noviciado palotino e seus estudos de filosofia em São João do Polêsine/RS, pois, naquela casa de formação palotina, em 1941, iniciou também o curso de filosofia e Bernardino foi um dos seus primeiros alunos. Até 1945, a casa de noviciado de Polêsine, além de introdução à vida religiosa palotina (curso de noviciado), foi também escola dê filosofia orientada pelos padres e irmãos palotinos. Os seminaristas palotinos continuaram a fazer o curso de teologia no Seminário Central de São Leopoldo/RS até 1948, dirigido pelos padres Jesuítas. Bernardino estudou dois anos em São Leopoldo, de 1946 a 1947, e de 1948 a 1949, no Seminário Maior de Polêsine que, em 1948, abriu também o curso de teologia com a grande colaboração da Diocese de Santa Maria/RS que ofereceu Mons. Valentin Ferrari como professor de moral. Bernardino fez um ano e meio de teologia em Polêsine: 1948 e parte de 1949. Ele amava também o canto e a música e sabia tocar bem harmônio.
Pe. Bemardino teve a graça de participar na beatificação de Vicente Pallotti, em 22 de janeiro de 1950, em Roma, feito o doutorado em Direito Canônico, participou também ativamente no Capítulo Geral de 1953.

4. Sua grande atuação na educação no Brasil e na Sociedade do Apostolado Católico (SAC)

Pe. Bemardino, ao retomar ao Brasil, desde o ano 1954 até poucos anos atrás, foi dedica¬do professor no Seminário Maior de Polesine (1954-1958) e especialmente no Colégio Má¬ximo Palotino, em Santa Maria, a partir de pri¬meiro de maio de 1958. Por vários anos, ensi-nou também filosofia e direito na Faculdade de Direito de Santa Maria.
Além de grande professor de Moral e de Di¬reito Canônico, em Polesine e em Santa Maria, foi também Reitor do Seminário Maior de Po¬lesine e o primeiro Reitor do Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria. Foi também muitas vezes Conselheiro Provincial, Superior Provincial e hábil Secretário Provincial.

Além do seu grande trabalho no Seminário Maior e na Direção da Província, teve também grande participação e atuação no estudo e na educação de toda a Sociedade do Apostolado Católico. Como Superior da Província Nossa Senhora Conquistadora, participou especialmente no Capítulo Geral Extraordinário da Sociedade, realizado no fim de 1968 e no começo de 1969. Participou também no Capítulo Geral de 1971. Em 1969, ele foi nomeado membro da Comissão Jurídica da Sociedade e trabalhou muito ativamente na elaboração das novas Constituições da Sociedade do Apostolado Católico. Era um dos membros mais ativos e também estimado da Comissão Jurídica. Teve muitas reuniões de no Tribunal Eclesiástico e Vigário Judicial na Diocese de Santa Maria.
Diante de seus trabalhos em muitos campos, creio que não podemos escrever uma história da Sociedade, da Província e sobretudo do Seminário, Maior Palotino de Polesine e Santa Maria, deixando de lado ou dando pouca importância ao Bemardino. Ele acompanhou sempre os estudos e os passos da Sociedade e deu sua importante colaboração. Foi sempre grande estudioso e dedicado professor e orientador, mas foi sobretudo excelente sacerdote em toda a sua vida. Para ele, o serviço sacerdotal esteve sempre, em primeiro lugar. Trabalhou em paróquias e capelas, em comunidades religiosas, pregou muitos retiros, também para jovens e Irmãs de Maria, foi confessor de muitas pessoas e comunidades. Ele preparou-se muito bem para celebrar o Tríduo Pascal deste ano na Capela São Marcos, em Novo Treviso, quando foi violentamente atingido por uma kombi, no dia 20 de abril de 2011, às 14h30min, quase no centro de Santa Maria. Mais uma grande vítima de motoristas irresponsáveis que acabam com preciosas vidas.

5. O testemunho espiritual do Pe. Bemardino

Pe. Bemardino começou, cultivou e manifestou uma rica e profunda vida espiritual. Procurou imitar São Vicente Pallotti que queria que a vida de Cristo fosse a sua própria vida. Pallotti também escreveu e disse que seus filhos são chamados a imitar Jesus Cristo, o Apóstolo do eterno Pai: "A regra fundamental da nossa mínima congregação é a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, para imitá-lo com humildade e confiança, com toda a possível perfeição, em toda a atividade da vida oculta e do público ministério evangélico, para a maior glória de Deus nosso Pai celeste epara a maior santificação de nossa alma e de nossos próximos. Por isso, quem quer que entre para esta congregação, deve ser trazido somente pelo perfeito amor de Deus e do próximo, para assegurar também a eterna salvação da própria alma ".

Este primeiro ponto da regra fundamental de 33 pontos marcou e inspirou a vida espiritual do nosso grande irmão Bernardino. Ao exemplo de Jesus Cristo que fez de toda sua vida doação e serviço pela salvação e santificação de todos os homens, Bernardino não trabalhou para si, mas para os outros, contentando-se sempre com o mínimo de coisas para si mesmo. Foi sempre fiel e dedicado sacerdote e também bom professor e suas palavras e exemplo iam muito além da expressão científica.
Se ele foi bom e generoso professor, foi também grande testemunha de Jesus Cristo. Foi também grande filho e devoto da Rainha dos Apóstolos e da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Sabia unir e valorizar o Cenáculo e o Santuário da Mãe Três Vezes Admirável. Dava grande importância à meditação, à leitura espiritual, ao terço, à celebração eucarística diária e à adoração. Foi ativo e aberto sacerdote até o dia em que foi mortalmente atropelado.

Era grande devoto de São Vicente Pallotti e também de São Pio de Pietrelcina que ele conheceu pessoalmente em 1953. O seu grande conhecimento dos escritos de São Pio e a sua união espiritual com ele despertaram nele forte vida nova, vigor, alegria e entusiasmo, como podem dizer os que participavam nas suas orações e celebrações na Capela São Marcos, em Novo Treviso, e especialmente na Ermida, no Cerro Comprido, no município de Faxinai do Soturno. Nos últimos anos era também grande admirador e devoto da bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá.

6. Os últimos anos sofridos do Pe. Bernardino Trevisan

Já disse que a vida do Pe. Bernardino não foi fácil. Convivi mais de dez anos com ele e posso dizer que ele, silenciosamente, sofreu bastante, física e espiritualmente, mas sem afrouxar a sua vida espiritual.
Teve graves problemas de saúde. Problemas de pulmão, muita tosse, muita dor nas costas e nas pernas. Houve um tempo em que quase não podia caminhar ou subir degraus e devia apoiar-se num bastão. Por muito tempo sofreu dolorosas massagens. Mesmo assim, nunca ficou em casa e consagrou todos os fins de semana e os dias santos ao trabalho pastoral nas capelas ou na Ermida do Cerro Comprido. Foi também atingido por forte herpes e quase perdeu totalmente um olho, o que lhe impediu de renovar a carteira de motorista. Certamente, graças à ajuda de São Pio, no ano passado e também neste ano, ele abandonou o bastão e subia escada e degraus de altar, embora não pudesse mais dobrar o joelho. Aqueles que o viram caminhar, celebrar e falar podem até dizer que Bernardino parecia ter rejuvenescido.
Mas quase sempre os mais dolorosos sofrimentos não vêm de fora, mas de dentro de uma família ou de uma comunidade ou, como dizia o Papa Bento XVI, até de dentro da própria Igreja. Bernardino sofria muito pelo fácil abandono de fé e de ministério sacerdotal de muitos padres que foram seus alunos, ou pelo desleixo da vida espiritual e sacramentai assumida solenemente no dia da consagração religiosa e no dia da ordenação sacerdotal.
Por isso, apesar da dor e das lágrimas, queremos agradecer a Deus pelo dom que nos deu na vida, no trabalho e no apostolado deste nosso querido irmão que fisicamente nos deixa, mas que espiritualmente nunca nos deixará, pois quem chega bem ao fim, não vai esquecer os que estamos caminhando e, muitas vezes, até tropeçando e caindo.


Fonte: Pe. Batista Quaini