O “Sudário” do Padre Pio



(Preparado pelo Pe. Bernardino, antes do acidente – Vejam também notícias dos seus últimos dias, morte e enterro).

1 – “Voltando da Missa dos Santos Óleos, junto com o senhor Bispo e todo o clero da Arquidiocese de Cascavel, abro o computador e encontro uma triste notícia. Pe. Bernardino foi atropelado, quarta-feira, dia 20 de abril, por uma kombi, em Santa Maria, em frente à rodoviária velha; sofreu traumatismo craniano, foi para a UTI em estado grave. Como fiquei sentido! Justamente ele, cheio das graças de São Pio, com possibilidade de fazer ainda tanto bem. Abraços e muitas bênçãos!” Pe. Achylle

“Caríssimo Cláudio, após ter presidido a liturgia das 15 horas sobre a Paixão e Morte de Jesus Cristo li suas linhas. As enfermeiras da UTI lhe disseram que o estado do Bernardino continua o de ontem, isto é, muito delicado. É verdade que superou as 48 horas mais decisivas, mas está totalmente entubado e não dá sinal de entendimento e de conversa. Esperamos que São Pio ajude este seu grande devoto. Estamos rezando pela sua recuperação que não é nada fácil, mas que não é impossível para Deus. Que São Pio e São Vicente Pallotti venham em socorro dele. Alegro-me em saber que você está melhor que meses atrás. Estamos torcendo também pela sua recuperação” Pe. João Quaini

“Caríssimo Cláudio, são agora 4.30 da madrugada. Há uns 15 minutos recebi a notícia do falecimento do Bernardino, no Hospital de Caridade, pelas 3 horas. Pelas 6 horas, seu corpo será trazido para a Casa de Retiros, onde será velado. Seu enterro, em Vale Vêneto, parece previsto para as 17horas de hoje. O médico ordenou que o corpo seja enterrado hoje mesmo. Que São Pio o tenha recebido com um grande abraço no céu. Amanhã, na Ermida, o Bernardino não estará. Que Deus glorifique este seu grande filho que viveu muito bem o sacerdócio palotino até o fim. Terminou sua vida na terra, à véspera da Ressurreição do Senhor. Boa e feliz Páscoa para você e a Lourdes. Celebrarei hoje, às 18.30, em lugar dele, a missa em Novo Treviso”. JBQuaini

“Querido Cláudio, antes de tudo, uma santa e rica Páscoa humana e espiritual. Que o Ressuscitado reavive a nossa. Para mim foi um Tríduo Pascal muito difícil, marcado pelo atropelamento fatal do Pe. Bernardino, pela sua agonia e morte no hospital e sobretudo pelo seu sepultamento. Celebrei, ontem à tarde, três Missas: uma aqui na Casa de Retiros, às 14 horas. A capela foi incapaz de acolher tanta gente. Sinal de que Pe. Bernardino era muito querido. A segunda em Faxinal do Soturno, onde a Paróquia se tornou incapaz de acolher a todos. E outra em Novo Treviso, aquela que devia celebrar o Pe. Bernardino. O corpo do falecido ficou bastante inchado, quando, vivo, era enchuto. Não estive em Vale Vêneto, porque tinha que ir a Novo Treviso. Em Faxinal encontrei uma sobrinha tua que me pediu que te mandasse o que eu li para o povo lá e também aqui na Casa de Retiros. Aqui esta a apresentão sobre o Pe. Bernardino, resumida e feita às pressas. Bom proveito! Pode fazer o uso que quiser!” Pe. J. Quaini

+ PADRE BERNARDINO TREVISAN (1923-2011) - Estimados irmãos e irmãs!
Perto da solene Vigília da Páscoa, estamos reunidos nesta capela (Casa de Retiros) e nesta igreja (Faxinal do Soturno) para agradecer a Deus pelo dom de nosso querido irmão falecido, Pe. Bernardino Trevisan, e também para pedir-lhe que o torne bem participante da ressurreição de seu Filho Jesus Cristo. Estamos todos sentindo a sua inesperada partida, mas cremos que terminou, em profunda paz e comunhão interior, a sua longa e nada fácil caminhada nesta vida e trabalho. Para motivar a nossa ação de graças, e também para pedir a Deus que o tenha para sempre em plena comunhão consigo, vejamos alguns pontos de sua rica vida.
1. Padre Bernardino nasceu e foi batizado na Paróquia São Marcos de Novo Treviso, hoje capela da Paróquia São Roque de Faxinal do Soturno. Nasceu no dia 14 de junho de 1923. Seus pais eram Jacob Trevisan e Amábile Da Ros. Entre seis irmãos e quatro irmãs ele era o terceiro. Foram também sacerdotes seus irmãos Alberto, Genésio e Sisto. Padre Alberto foi capelão militar e bispo do exército brasileiro em Brasília e em Rio de Janeiro. Três irmãs do Bernardino são Irmãs de Maria. No céu, Bernardino foi unir-se aos seus irmãos padres, Alberto e Sisto.

Nasceu e cresceu numa família cristã de profundo amor a Deus, de grande devoção a Maria e de grande amor à Eucaristia. Os pais estimavam e ajudavam espiritual e materialmente os padres e os seminaristas. Deus escolheu e convidou quatro filhos da sua família para a vida e o trabalho sacerdotal e três filhas para a vida religiosa. Vemos que, quase sempre, as boas vocações brotam de boas e santas famílias.

2. Pe. Bernardino completou parte dos estudos primários no Seminário de Vale Vêneto, no qual entrou em 1935, e parte dos secundários naquele mesmo Seminário e no Seminário Diocesano de Santa Maria, orientado pelos Jesuítas.
Fez seu noviciado palotino e seus estudos de filosofia em Polêsine. Naquele noviciado, em 1941, foi iniciado também o curso de filosofia e Bernardino foi um dos seus primeiros alunos. Fez também dois anos de teologia no Seminário Central de São Leopoldo (1946-1947) e dois no Seminário Maior de Polêsine (1948-1949) que, em 1948, abriu também o curso de teologia. Pe. Bernardino amava o canto e a música e sabia tocar muito bem harmônio.
Bernardino foi ordenado sacerdote, no dia 14 de agosto de 1949, em Faxinal do Soturno, por Dom Antônio Reis. Logo depois da sua ordenação, foi enviado a Roma para fazer doutorado em Direito Canônico, na Universidade Gregoriana, onde esteve de 1949 a 1953.
Pe. Bernardino teve a graça de participar na beatificação de Vicente Pallotti, em 22 de janeiro de 1950, e participou também ativamente no Capítulo Geral de 1953. Ao retornar ao Brasil, desde 1954 até poucos anos atrás, foi dedicado professor no Seminário Maior de Polêsine (1954-1958) e especialmente Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria, a partir de primeiro de maio de 1958. Por vários anos, ensinou também filosofia e direito na Faculdade de Direito de Santa Maria. Além de grande professor de Moral e de Direito Canônico em Polêsine e em Santa Maria, foi também o Reitor do Seminário Maior de Polêsine e o primeiro Reitor do Colégio Máximo em Santa Maria. Foi também muitas vezes Conselheiro Provincial e também Superior Provincial e hábil Secretário Provincial.

3. Além do seu grande trabalho no Seminário Maior e na Direção da Província, teve uma grande atuação no estudo e na formação de toda a Sociedade do Apostolado Católico. Participou no Capítulo Geral Extraordinário da Sociedade, realizado nos anos 1968/1969. Em 1970, ele foi nomeado membro da Comissão Jurídica da Sociedade, e trabalhou muito ativamente na elaboração das novas Constituições da Sociedade do Apostolado Católico. Era um dos membros mais ativos e também estimados da Comissão Jurídica. Teve muitas reuniões de trabalho em Roma e fez parte da Comissão até o fim de 2004, quando foi deixado fora dela, sem ser previamente consultado. Muitos colegas da Comissão sentiram a sua imposta ausência.
Pe. Bernardino sempre acompanhou os estudos e os passos da Sociedade e deu-lhe sua importante colaboração. Foi sempre grande estudante e dedicado professor e orientador, mas foi sobretudo excelente sacerdote em toda a sua vida. O serviço sacerdotal esteve sempre, para ele, em primeiro lugar. Trabalhou em paróquias e capelas, pregou muitos retiros, também para as Irmãs de Maria, foi confessor de muitas pessoas e comunidades e tinha começado a ser também confessor das Irmãs de Maria, depois que o Pe. Claudino Magro foi para o Patronato. Preparava-se para celebrar o Tríduo Pascal deste ano na Capela São Marcos, em Novo Treviso, quando foi violentamente atingido por uma kombi, quase no centro de Santa Maria.

4. Pe. Bernardino procurou imitar São Vicente Pallotti que desejava que a vida de Cristo fosse a sua própria vida. Pallotti também escreveu e disse aos seus filhos que eram chamados a imitar Jesus Cristo, o Apóstolo do eterno Pai. Como Jesus Cristo fez de sua vida uma doação e um serviço pela salvação e santificação de todos os homens, Pe. Bernardino não trabalhou para si, mas para os outros. Foi sempre fiel e dedicado sacerdote e também bom professor, cujas palavras e exemplo iam muito além do conteúdo científico.
Foi bom e generoso professor, mas também boa e grande testemunha de Cristo. Foi grande e perseverante homem de grande oração e adoração eucarística, especialmente nesses últimos anos. Foi também grande filho e devoto da Rainha dos Apóstolos e da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Sabia unir e valorizar o Cenáculo e o Santuário da MTA. Dava muita importância ao Terço, à celebração eucarística diária e à adoração. Foi sacerdote ativo até o dia em que foi atropelado.
Era grande devoto de São Vicente Pallotti e também de São Pio de Pietrelcina que ele conheceu pessoalmente junto com o Pe. Benjamin Ragagnin, quando o visitaram em 1953, em San Giovanni Rotondo, onde vivia, muito confessava e rezava este santo capuchinho. A sua união com São Pio de Pietrelcina deu-lhe nova vida, novo vigor, alegria e entusiasmo, como podem dizer os que participavam nas suas orações e celebrações na Ermida, no Cerro Comprido. Nos últimos anos era também grande admirador e devoto da bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá/Índia (1910-1997).
Eu creio que não podemos escrever uma história da Sociedade, da Província e também do Colégio Máximo Palotino, deixando fora ou dando pouca importância ao Pe. Bernardino.
Apesar da dor e das nossas lágrimas, queremos todos agradecer a Deus pelo dom que nos deu através da vida, do trabalho e do apostolado deste nosso querido irmão que fisicamente nos deixa, mas espiritualmente nunca vai deixar-nos, pois quem chegou bem ao fim, não esquecerá os que estamos caminhando e, muitas vezes, até tropeçamos e caímos. Pedimos também que as grandes aspirações, iniciativas e trabalhos apostólicos do Pe. Bernardino não se apaguem em nós, mas que vivam, cresçam e frutifiquem! Que nosso querido irmão Bernardino nos ajude com sua oração junto ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, e junto a Maria e a todos os irmãos e irmãs do céu!

Seu grande amigo Pe. Wolfgang Weiss, que está na Casa Geral em Roma, escreveu-me hoje de manhã, quando soube do falecimento do Pe. Bernardino:
“Nós perdemos um bom amigo aqui na terra, mas ganhamos um intercessor no céu”.

As Irmãs Carmelitas de Santa Maria conheciam e amavam muito o Pe. Bernardino. Quando elas souberam do seu falecimento, me escreveram:

“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Agradecemos as notícias e a comunicação da partida para o Céu do nosso GRANDE AMIGO PE. BERNARDINO. Foi celebrar a festa da Ressurreição no Céu, com Jesus. Um grande, fiel e santo Sacerdote! Que o Bom Deus lhe conceda estar junto d´Ele, com grande glória”. Irmã Lourdes de Jesus, ocd. JBQuaini – Santa Maria, 23.04.2010

Cioccari – “Do Pe. Bernardino guardo a agradável lembrança de seu constante e leve sorriso (além de uma questão que levantei numa de suas aulas de Teologia Moral no Colégio Máximo)”. Arsênio Becker

“Caro Luiz Cioccari e amigos ex-seminaristas. É comovedor para mim ler as referências de vocês todos aos professores de outrora como Pe. Casimiro, Pe. Osvaldo, etc. Agora também o Pe. Bernardino faz parte dessa coroa de nossa vida e tenho a certeza de que estará intercedendo por nós todos. Justamente na véspera da celebração da Páscoa, da Ressurreição do Senhor nosso. Ele foi um homem justo, justificado por Cristo que ele serviu. Sim, agradeçamos a Deus...” Pe. Achylle

Pe. Achylle e demais amigos do grupo Seminário
Leio as mensagens do Pe. Achylle, assim como do Arsênio, logo que retornado do funeral do Pe. Bernardino. Primeiro, a Missa na Casa de Retiros, depois seguimos para Faxinal do Soturno, Rosso e eu no carro dele, fazendo parte do acompanhamento. Em Faxinal do Soturno, na Igreja Matriz São Roque, conhecida desde a década de 1950, ao tempo do pré-seminário, assistimos nova celebração eucarística, templo lotado, concelebrada por uns 15 sacerdotes, presidida por Dom Helio Adelar Rubert, arcebispo de Santa Maria. Havia participações de todas as comunidades de Faxinal, além de muita gente de Santa Maria. O Pe. João Baptista Quaini fez um relato muito forte sobre a vida do Pe. Bernardino Trevisan, acentuando, em resumo, aquilo que já nos antecipara por e-mail: o Pe. Bernardino foi um grande irmão, que viveu toda sua vida para o bem dos outros, e nunca para si. Nessa trilha seguiu o Arcebisbo Dom Helio. Também falou o pároco, meu querido amigo Pe. Ládio Luiz Girardi, assim como representantes da população. Gostei de perceber lá a presença de muitos queridos amigos, sacerdotes como o Pe. Casemiro Facco (recém retornado de seu longo período de missões na África, com quem ainda não falei), Padres Dorli, Peca, Claudino e outros, assim como ex-seminaristas, como Roque Zamberlan, Eloy João Cordero, Valdomiro Vendrusculo (e Silésia), Luiz Pedro Cervo, Gilmar Rosso, Cioccari...

Depois da celebração em Faxinal do Soturno, terra natal do Pe. Bernardino, assim como da sua atuação nos últimos anos, o que explica a comoção e a demonstração de amor dos fiéis, depois, ainda com bastante acompanhamento, o féretro seguiu para Vale Vêneto, onde fica - todos sabemos - o cemitério dos padres palotinos. No campo santo, pude rever fotos e nomes de muitos padres conhecidos, que marcaram nossa vida, em especial para o momento, revi as tumbas dos padres Sisto (falecido em 1978) e Dom Alberto, que precederam o irmão Bernardino na partida deste mundo. Sim, eram quatro irmãos padres palotinos, e agora somente resta o Pe. Genésio Trevisan, que conheci nos longínquos tempos de Pré-Seminário São José, em Faxinal do Soturno, na década de 1950. Ele continuará atuando lá na sua terra, mas hoje foi submetido a dura prova, eis que lhe coube fazer a encomendação do seu irmão. Com muita fé e firmeza, não vacilou, mas, sabe-se lá com quanto sofrimento na alma. Pe. Genésio, percebe-se, tem um olho comprometido, o que não chegou a prejudicar suas leituras mas poderá tê-lo sobrecarregado nos momentos de lágrimas (tomo essa ideia emprestado do Rosso).

Essa família Trevisan, de Faxinal do Soturno, cedeu à Igreja quatro homens para serem padres, três mulheres para serem irmãs, retendo um homem e uma mulher (ao menos), quiçá para os serviços agrícolas. Salvo engano meu, agora restam "entre nós" as três freiras, o Pe. Genésio, mais um irmão e uma irmã. Os irmãos e irmãs vivos do Pe. Bernardino estavam lá presentes, assim como sobrinhos, sobrinhos netos. Encontrei lá o túmulo do Pe. Vitélio Trevisan, que eu soube que também é de família de Faxinal do Soturno, não sei se primo, ou não, dos quatro Trevisan referidos - Dom Alberto, Pe. Sisto, Pe. Bernardino e Pe. Genésio.

Comentei com um padre que deve ser raro, hoje em dia, uma família que forneça vários padres à Igreja, como foi o caso desses quatro Trevisan de Faxinal, dos Trevisan de Santa Maria (minha geração conheceu os Pe.s Fioravante, Máximo e Celestino, três irmãos, depois vários sobrinhos deles), três Giuliani (Padres Mateus, José e Arnaldo). Muito difícil, raro, um padre isoladamente, que dirá vários irmãos, é a constatação dos dias de hoje.

Envio estas breves anotações para todos os que não puderam comparecer a essa despedida ao Pe. Bernardino. Agradeço ao Rosso pela carona, companhia, e por tudo o mais que falou, com o que me enriqueceu no caminho.


EM TEMPO:
Há pouco me ligou o Irineu Burin, irmão do Ruy (quanta saudade) e Irineu me indagou sobre a morte de um padre palotino. Contei tudo e ele lamentou de somente saber assim tarde, caso contrário, ele faria tudo para acompanhar. Semelhantemente, por seus compromissos com a Catedral, Michelotti também não pôde ir a Faxinal. Um abração. Luiz.


O “SUDÁRIO” DO PADRE PIO:

Francisco Cavicchi (1913-2005), um bem-sucedido industrial de Conegliano, Província de Treviso, Itália, filho espiritual de Padre Pio, fez muitas visitas a San Giovanni Rotondo em sua vida, mas duas delas o marcaram definitivamente. A primeira foi em fevereiro de 1968, e a segunda em 23 de setembro de 1969, aniversário da morte do Padre Pio. Teria obtido um sudário dele num lenço? Mas seria possível uma coisa destas? Tentemos explicar com o depoimento do próprio Francisco. Depoimento que, em fins de 1998, ele deu ao jornalista e escritor Renzo Allegri. Estas imagens têm as típicas características do Santo Sudário de Cristo: não foram pintadas, não foram desenhadas, na tela não se encontra nenhum traço de tinta ou de qualquer outra substância. A Ciência deve estar aberta a tudo, e se existe algo estranho, do qual não se conhece a origem, o caminho certo é a indagação”. Fanti usou os meios científicos mais modernos e sofisticados para explicar o caso, como análises fotográficas no visível, no ultravioleta, no infravermelho, análises químicas, análises no microscópio eletrônico etc. “A conclusão é irrefutável: Impossível que estas imagens sejam de obra humana”.
Francisco telefonou, entre setembro-dezembro de 1998, ao jornalista Renzo Allegri, pedindo que fosse visitá-lo. “O Senhor é um jornalista, e escreve frequentemente sobre o Padre Pio. Eu leio seus artigos. Tenho algo muito importante a lhe contar”. E lá se foi Renzo Allegri. Depois de um longo papo, de observar minuciosamente as “imagens-relíquias”, etc., registrou os fatos, para publicar um artigo no jornal.
Qual a origem desta imagem?
“A história começou em fins de fevereiro de 1968. Visitei o Padre Pio, a quem conhecia e frequentava há muito tempo, para pedir-lhe alguns conselhos. Viajei com meu próprio carro, junto com a esposa e amigos. Mas, chegados a San Giovanni Rotondo, ficamos sabendo que o Padre não estava bem, e por isso não descia do quarto. Mesmo assim, permanecemos ali por alguns dias... e decidimos voltar para casa”.

“Antes de partir, fui até o superior do convento para saber se, por seu intermédio, podia fazer chegar ao padre Pio o meu pedido e obter uma resposta. ‘Por que não fala diretamente com ele? – disse-me. – Encontro-me aqui há mais dias e não o vejo, respondi. – Logo mais ele desce para atender às confissões dos homens” e, abrindo a porta da clausura, indicou-me o lugar do elevador aonde chegaria o Padre. ‘Aguarde-o aí’, disse-me”. “Eu estava sozinho diante do elevador e andava preocupado. Não sabia de que jeito começaria a falar com o Padre Pio. Ele sempre tinha pouco tempo e, portanto, não podia perder-se em conversas. A agitação me fazia suar as mãos. Tirei do bolso o lenço e mantive-o apertado na mão, para enxugar o suor. E o elevador chegou. Ajoelhei diante da porta. No que ela abriu, Padre Pio me deu a mão a beijar e disse sorrindo: ‘Filho, se não levanta, como posso sair?’ De fato, eu estava trancando a passagem. Levantei-me. Ele viu o lenço que tinha na mão e o pegou. Logo pensei: ‘Que beleza! Quando mo devolver, será para mim uma relíquia preciosa’. Andando com o Padre, confiei-lhe meus problemas e, como sempre, ele teve respostas imediatas e precisas”.
“E assim chegávamos à entrada do convento. Fora havia uma multidão aguardando o Padre. Apenas aberta a porta, muitos lhe correram ao encontro para beijar-lhe a mão, para tocá-lo. Num instante, foi engolido pela multidão, e eu parado na porta, observando. Esquecera o lenço, mas o Padre Pio não. Voltou-se para mim e, mostrando-me o lenço, disse: ‘Ei, e este não vai levar?’ “Ah, sim, obrigado”.
Fixou-me nos olhos, abriu o lenço, passou-o no rosto, como a enxugar um hipotético suor, que não havia porque era inverno, e mo entregou. Tinha sido um evidente gesto de delicadeza para comigo. Retomando o lenço, eu me sentia profundamente comovido.Entendi que me havia dado um valioso presente”.
Percebeu algo de especial naquele lenço?

“Nada havia no lenço. Tenho certeza. Tratava-se de um lenço amarrotado, nada mais. Mas tinha estado nas mãos de Padre Pio, que o passou no seu rosto, o que para mim virara uma relíquia excepcional. Chegado ao hotel, contei tudo à minha mulher e também ela sentiu-se feliz por termos esse objeto. Voltando para casa, o guardamos com a maior devoção. Eu o carregava sempre comigo, como um amuleto. Levava-o, dobrado, na lapela do casaco, e mais vezes o mostrava aos amigos, contando a história. Todos o tocavam respeitosamente e, com o passar do tempo, o lenço foi tomando uma cor feia, parecia sujo”.
E quando apareceu aquela misteriosa imagem?
“No dia 23 de setembro de 1969, primeiro aniversário da morte de Padre Pio, fui de novo a San Giovanni Rotondo, com minha esposa e outros devotos de Padre Pio. Viajamos de noite num ônibus, chegando ao destino às cinco da manhã. Sentia um grande cansaço, muito maior que de costume. Fiquei um pouco na cripta da igreja, rezando junto ao túmulo do Padre Pio, mas logo, não conseguindo vencer o sono, subi até a igreja e sentei num banco à parte, para descansar”.
“Adormeci logo... e sonhei com o Padre Pio. Vi-o sair do altar-mor e vir na minha direção. Estava sorridente. Chegando na minha frente, com as mãos abriu o hábito mostrando-me a chaga do lado. ‘Toque-a’, disse-me. Eu não queria, temia produzir-lhe alguma dor. Mas ele insistiu; ‘Toque-a’. Pus então os dedos na chaga. Ao retirá-los, notei que estavam sujos de uma espécie de massa branca, grudenta. Instintivamente procurei limpá-los, mas não sabia onde. De repente apareceu um pedaço de tecido branco, uma espécie de lenço, e nele eu limpei os dedos. Aquela massa branca, porém, deixava no lenço sinais pretos. E não sei por que, passando por cima as pontas dos dedos, consegui uma tosca imagem do padre Pio. Procurei ver o frade, mas havia desaparecido” (isto em sonho). “Naquele momento alguém me acordou. Era minha mulher. ‘Está muito cansado?’ perguntou-me. ‘Mas deu para descansar um pouco’, respondi e acrescentei: ‘Vou dar uma saída para refrescar o rosto’”.
“No fundo da Igreja havia uma fonte, que depois foi trocada de lugar. Muita gente ia apanhar água para tomar e também por ser considerada como ‘água de Padre Pio’. Aproximei-me, molhei as mãos e o rosto e tirei do bolso um lenço, para enxugar-me. Mas, ao invés do lenço normal, por engano, tirei aquele que o Padre Pio me havia dado. Uma senhora, que estava na minha frente, disse: ‘Puxa, como está sujo o seu lenço! Quer que o lave?’ Olhei o lenço e vi que estava até preto e manchado. ‘Sim, lave-o’, concordei eu. E enquanto pronunciava estas palavras admirei-me dessa decisão, porque mais vezes minha mulher pedira para lavá-lo e nunca lhe havia permitido. A senhora aproximou-se e começou a derramar água da sua garrafa sobre o lenço. Eu o esfregava nas mãos. De repente ela começou a gritar: ‘Padre Pio, Padre Pio’. ‘Onde está ele?’, perguntei. ‘Ali, no lenço’ disse-me ela, continuando a gritar. Acorreu muita gente. Assustei-me. Um dia antes, uma senhora, que havia gritado na igreja, dizendo ver o Padre Pio nos degraus do altar, fora presa pelos carabineiros e levada à delegacia de polícia. Pus no bolso o lenço todo molhado e me afastei dizendo:’Nada de novo a ver’. Refugiei-me na igreja e pouco depois voltei ao hotel” .
No lenço via-se o rosto do Padre Pio.
“Eu, na verdade, via sinais pretos desconexos, semelhantes aos que parecia ter visto em sonho. Podiam fazer pensar num rosto humano, mas não eram claros. E eu, embora sentindo que algo de misterioso estava acontecendo naquele lenço, não queria me enganar. Por isso não disse nada a ninguém, nem mesmo à minha mulher. Antes de deitar, estendi o lenço sobre a mesinha de cabeceira para que enxugasse. De manhã, durante a Missa, rezei ao Padre Pio que me ‘fizesse entender’ o significado dos sinais aparecidos no lenço. E pedi-lhe também para poder confidenciar-me com minha mulher. Percebi logo um forte perfume e interpretei-o como permissão para falar com ela.”.
“Enquanto retornávamos ao hotel, contei a ela o que acontecera. Subindo ao quarto, apanhei o lenço e o pus diante dos olhos. ‘Consegue distinguir alguma coisa? – perguntei-lhe. ‘O rosto de Jesus’ disse ela. ‘Nada de Jesus, é do Padre Pio!’ retruquei. ‘Para mim é o rosto de Jesus’. Olhei e me dei conta de haver mostrado à minha esposa uma imagem diferente daquela que eu tinha visto. Virei o lenço, e doutro lado havia o rosto do Padre Pio, formado por aqueles sinais pretos desconexos, que havia percebido também na tarde anterior, mas agora o rosto aparecia nítido e detalhado. Durante a noite, portanto, haviam-se formado aquelas duas imagens misteriosas, distintas e diferentes, que mostravam, num lado, o rosto de Jesus, e no outro, o do Padre Pio”.
“Confuso e apavorado, não sabia o que dizer nem o que fazer. Aconselhei-me com alguns religiosos. Todos, vendo a imagem, admiravam-se, mas depois me pediam para manter silêncio. Retornando a Conegliano, procurei meu Bispo e também ele me recomendou silêncio. Temiam que o caso pudesse suscitar fanatismo e atrapalhar a causa da beatificação. E eu obedeci. Guardei sempre escondida esta imagem. Só a mostrava a quem tinha autorização dos frades capuchinhos. Mas agora tenho a permissão de torná-la conhecida. E espero que decidam enfim examiná-la para entender qual é seu valor e seu segredo”.

NOTA: Este depoimento (de fatos vividos entre 1968-1969) só foi dado em fins de 1998, portanto, uns 30 anos após. O processo de beatificação do Padre Pio encontrava-se concluído e estava já marcada a data da beatificação (02/05/1999). Não havia mais razão para o silêncio.
Daí o interesse de Francisco Cavicchi de tornar públicos os fatos. Quis valer-se do jornalista Renzo Allegri, especialista para fatos desse gênero e conhecedor da vida do Padre Pio. Esse publicou um artigo sobre o caso, mas mantendo-se, porém, neutro, com um pé atrás. Francisco Cavicchi era um industrial bem-sucedido em Conegliano. E tinha 85 anos. Em razão de seus méritos, o Presidente da República lhe concedera o título de Comendador. Era um cristão convicto, praticante, tanto assim que fora designado como responsável pelos “Grupos de oração do Padre Pio” em sua cidade, cargo que só se oferecia a pessoas que se distinguissem pela prudência e pela prática da vida espiritual.
Mesmo assim, Renzo Allegri tinha a impressão de que, ao menos em parte, isso fosse fruto de fantasia. Uma história desconcertante, ou incrível.
Francisco Cavicchi morreu em 2005, aos 92 anos. E o famoso lenço foi confiado a uma comunidade de frades, e lá, a certa altura, decidiram submeter as imagens ao exame de um perito.
Dirigiram-se ao professor Júlio Fanti, da Universidade de Pádua. Fanti é docente de “Medidas Mecânicas e Térmicas” no Departamento de Engenharia Mecânica da dita Universidade, um cientista notável, que participou na organização de diversos empreendimentos espaciais dos Estados Unidos. Mas é também um perito do santo sudário, sobre o qual fez importantes pesquisas, escreveu livros, e é um estudioso daquelas imagens misteriosas, ditas ‘acheropite’, palavra que significa “não feitas por mão humana”.
Fanti estudou o caso com a maior seriedade, chegando a conclusões que verdadeiramente possuem algo de incrível. “As duas imagens que aparecem no lenço não têm explicação científica e, portanto, não são obra humana. Apresentam ademais as típicas características do Santo Sudário: não foram pintadas, não foram desenhadas, na tela não se encontra qualquer traço de tinta ou de outra substância. A Ciência deve estar aberta a tudo e, se existe um objeto estranho do qual não se conhece a origem, o caminho certo é indagá-lo”.
Fanti usou dos meios científicos mais modernos e sofisticados para explicar o caso, como análises fotográficas no visível, no ultravioleta, no infravermelho, análises químicas, análises no microscópio eletrônico etc. “A conclusão é irrefutável: é impossível que estas imagens sejam de obra humana” – concluiu ele..


Fonte: Pe. Bernardino