Entrevista com o autor de “Padre Pio. Os milagres inéditos do santo dos estigmas”



Madri, terça-feira, 2 de novembro de 2010 (ZENIT.org).- Neste dia foi lançado na Espanha o livro “Padre Pio. Os milagres inéditos do santo dos estigmas” (Editora LibrosLibres) contendo uma série de testemunhos de conversões e curas atribuídas ao santo e reunidas por José Maria Zavala.

"Nunca tinha pensado em compartilhar uma experiência como esta, que me marcou para a vida inteira”, reconhece o autor em sua entrevista, lembrando que a canonização do Pio, em 2002, bateu todos os recordes de fiéis da história do Vaticano.

ZENIT: Como é lembrado o Padre Pio no convento de San Giovanni Rotondo, onde passou quase toda a vida?

Zavala: Com imenso carinho. Alguns até continuam sentindo o forte perfume de seus estigmas, como o melhor sinal de que ele nunca os abandona, essa mesma fragrância que já deixou gelado mais de um incrédulo.

ZENIT: Ainda vivem muitos que o conheceram de perto?

Zavala: Poucos, mas tive a grande sorte de entrevistar alguns, como a Irmã Consolata, uma freira de clausura com 95 anos, que me recebeu no convento e me relatou episódios inesquecíveis. Nunca lhe serei suficientemente grato. Nem a ela nem a Piepero Galeone, sacerdote octogenário com fama de santo, a quem o Padre Pio curou milagrosamente depois da Segunda Guerra Mundial. Ou a Paolo Covino, o capuchinho que administrou a Unção dos Enfermos ao Padre Pio. Todos eles romperam pela primeira vez seu silêncio para falar do Padre Pio neste livro.

ZENIT: Eles expressam alguma ideia comum?

Zavala: Todos coincidem em que ele fez o mesmo que Jesus na terra: converteu os pecadores, curou os doentes, consolou os aflitos… carregou sua cruz a vida inteira para redimir os homens do pecado. Padre Pio sabia muito bem que sem sacrifício pessoal era impossível ganhar almas para Deus.

ZENIT: Quem foi o Padre Pio?

Zavala: Um grande presente que Deus fez aos homens doem pleno século XX, para continuarem a acreditar nele. É impossível aproximar-se com simplicidade e sem preconceitos da figura deste santo e permanecer insensível. Conheço muita gente cuja fé estava já morta por falta de obras e que, por intercessão do Padre Pio, vive agora bem perto de Deus, reza e é feliz fazendo felizes aos outros.

ZENIT: Existe uma relação entre suas horas no confessionário e os estigmas?

Zavala: "Tudo é um jogo de amor", ele dizia. De Amor (com maiúscula) ao próximo; ele sabia muito bem que o melhor só se compra por grandes sacrifícios.Padre Pio viveu “crucificado” por cinquenta anos, com os estigmas nas mãos, nos pés e no lado, sangrando sem parar. Tal sofrimento moral e físico era-lhe um meio infalível para libertar muitas almas dos laços de Satanás. Basta dizer que chegava a passar dezoito horas seguidas no confessionário.

ZENIT: Como um novo Cura D'Ars...

Zavala: Nisto reside a grandeza deste homem de Deus. San Giovanni Rotondo, onde viveu e morreu, é ainda hoje um verdadeiro caminho de Damasco, pelo qual milhares de pecadores retornam ao Senhor. É o primeiro sacerdote estigmatizado na história da Igreja, e com alguns carismas que o tornam muito especial, desde a bilocação até a introspecção, que lhe permitia ler nas almas dos penitentes.

ZENIT: “Farei mais barulho morto do que vivo”, comentou Padre Pio um dia. O que quis dizer com isto?

Zavala: Teríamos de perguntar às centenas de pessoas no mundo todo que, por intercessão dele, continuam se convertendo hoje ou se curando milagrosamente de uma doença mortal. Muitos deles contribuem com testemunhos impressionantes neste livro. Podemos afirmar que o Padre Pio continua realizando hoje, no céu, mais prodígios do que quando estava na terra.

ZENIT: O senhor recolheu algumas conversões marcantes…

Zavala: Muitas. Gianna Vinci relatou-me em Roma um desses milagres que deixam qualquer um boquiaberto. Uma senhora, doente de câncer, pediu ao marido, agnóstico, que a levasse a San Giovanni Rotondo, pois tinha ouvido que o Padre Pio fazia milagres. O homem aceitou, porém com uma condição: esperaria fora da igreja. A mulher então entrou sozinha com o filho de dez anos. Gianna Vinci estava ali e viu tudo. A senhora ajoelhou-se no confessionário do Padre Pio, enquanto este pedia ao menino que fosse chamar o pai. O pequeno obedeceu: “Papai, o Padre Pio está te chamando”, disse na porta. Mas como? – perguntou abismado o pai, se este menino é surdo mudo! Emocionado, o pai foi direto ao confessionário. Terminada a confissão, se deu conta de que a esposa ficara curada do câncer naquele mesmo instante.

ZENIT: Qual o segredo da popularidade deste santo?

Zavala: O amor pelos outros, insisto. Padre Pio continua recolhendo hoje os frutos de sua semeadura do céu. Na Itália, pude sentir o imenso carinho que as pessoas continuam demonstrando por este santo. Ao voltar a Madri, enquanto despachava a bagagem no aeroporto, um policial começou a me colocar dificuldades, mas quando viu o retrato do Padre Pio que eu levava para um amigo, me deixou passar com um sorriso. “Que passaporte e tanto!”, pensei.

ZENIT: E fora da Itália, o Padre Pio vai-se tornando mais conhecido?

Zavala: Espero que este livro sirva para torná-lo mais conhecido na Espanha, onde já fez alguns milagres. Na Argentina, México, Chile e Filipinas, ele conta cada vez com mais devotos.

ZENIT: O que significa este livro no conjunto das suas obras?

Zavala: É, sem dúvida, a minha obra mais importante. Nunca tinha sentido tanta vontade de compartilhar uma experiência como esta, que me marcou para a vida inteira. Dizem que quando o Padre Pio levanta uma alma, não a deixa mais cair. Pois comprovei isso na própria pele. Convido a todos os que quiserem, por mais céticos que sejam, a conhecer a este homem de Deus. Posso adiantar-lhes que não permanecerão indiferentes


Fonte: Zenit.org