Como era San Giovanni Rotondo... (II parte)



Durante seu quarto parto, minha mãe passou mal – O pai correu chorando pedir ajuda ao Padre Pio – O médico informou ao Padre que o bebê corria perigo de vida, mas esse respondeu: Ci ha pensato la Madonna (Cf. www.saopio.com.br)

A vida do meu pai, cada vez se vai enriquecendo mais com esses numerosos episódios, talvez, pequenos e destinados a terminar no esquecimento, não fossem recheados pela santidade extraordinária daquele que um dia seria venerado como santo no mundo todo. Episódios, até certo ponto tão singelos, que poderiam ser definidos como “fioretti – florezinhas”.

Um dia meu pai, enquanto trabalhava na horta do convento, meditando sobre a bondade de Deus que colocou um farol de luz no Monte Castellana, na pessoa do Padre Pio, o qual com suas cinco chagas se transformara num verdadeiro “representante de Cristo” na terra, tomado de um fervor místico, atirou longe a enxada, caiu de joelhos e com as mãos juntas e os olhos voltados para o céu, começou a rezar.

Nesta posição foi surpreendido pelo Padre Pio, que naquele tempo ainda podia permitir-se o luxo de dar algum passeio pelos caminhos arborizados.

Aproximando-se pé ante pé, pelas costas e apoiando a mão na cabeça do pai, lhe disse: Bravo, Giovannino, falta-te bem pouco para ser considerado um dos nossos!.

Assim, na escola do Padre santo, meu pai dava passos de gigante na fé.

Passava o tempo entre o trabalho na lavoura, o convento e a família. E a família também crescia. Minha mãe estava grávida com a quarta filha, depois das primeiras três, das quais a primeira havia voado ao céu com a idade de dez meses de vida.

A hora do parto se aproximava, a alegria aumentava e a ansiedade também. Naqueles tempos e lugares, era habitual dar à luz em casa, com a ajuda da parteira – la mammana per i paesani – e a mortalidade infantil era elevada. Também as mães arriscavam muito.

Na tarde de 5 de março de 1947 papai descia do convento mais apressadamente que de costume. A hora havia chegado, e era normal estar aguardando uma bonita surpresa. A casa situada na Via Marconi, atrás da atual igreja de São José, estava em alvoroço. As comadres entravam e saiam todas excitadas. A parteira não fora encontrada.

Rosina está mal, disseram as comadres sem maiores explicações ao papai que chegava naquele momento. Ele, então, lançou-se para dentro do quarto e encontrou a mãe já quase sem sentidos. Da cintura para baixo, o sangue já não circulava. Estou perdendo minha esposa e o bambino, disse desesperado. Sabendo que já não podia contar com a mínima ajuda por parte das vizinhas de casa, refez velozmente o caminho de volta ao convento do seu “salvador”.

Parecia voar. Rezando, conseguiu chegar antes de fecharem a igreja. Padre Pio, porém, estava incomunicável. Não sei se por causa de uma das frequentes restrições que chegavam do Vaticano ou por motivos de saúde. Nem mesmo ao Giovannino – o trabalhador da horta – foi permitido aproximar-se dele.

Meu pai sentia-se só e abandonado em seu drama e, num pranto desfeito, diante da antiga imagem de N. Senhora das Graças, elevou suas angustias e preces. Ele não podia perder a esposa e o filho sem que alguém o ajudasse. Enquanto soluçava com o rosto entre as mãos, aproximou-se o Dr. Bonanno, e perguntou: Giovanni, por que chora assim? Que aconteceu?. Com dificuldade conseguiu relatar-lhe o que sucedia. Coragem, Giovanni, temos o Padre Pio entre nós! “Está incomunicável!!! – respondi.”. Mas eu tenho livre acesso, logo terá uma resposta. Bonanno era um dos médicos colaboradores do Padre Pio para o atendimento domiciliar. Apenas passara a porta do quanto nº 5, onde se alojava Padre Pio, ouviu a ordem: Corra, não perca tempo, não entende? É urgente! Como um raio, Bonanno se lança a correr até o povoado e encontra minha mãe em condições verdadeiramente lastimáveis.

Com o escasso equipamento que levara, pouco pôde fazer. Por isto voltou correndo ao Padre Pio para contar-lhe que a esperança de vida era pequeníssima. O médico se queixava também da escassez de meios disponíveis para acudir os doentes.

A esta altura, Padre Pio deu uma indireta sobre a “escassa” competência do médico e, a seguir, voltando-se ao céu num profundo suspiro: Rosa está bem. Pode ir. Nossa Senhora das Graças resolveu o problema!. O médico, sem duvidar o mínimo das palavras do santo, tranquilizou-se e voltou às suas costumeiras ocupações, sem se preocupar em consolar meu pobre pai. Esse estava ainda na igreja pedindo ajuda de Nossa Senhora e soluçando, até que foi obrigado a sair, pois o frade precisava fechar as portas.

Constrangido e resignado, saiu da igreja, pensando na falta de delicadeza do médico que nem voltara para lhe comunicar a resposta dada pelo Padre Pio. Enquanto melancolicamente tomava o caminho de volta, divisou, a certa distância, o Dr. Bonanno. Correu para ele gritando: Doutor, quer que eu também morra, esperando sua resposta?! “Giovanni – respondeu-lhe Bonanno num tom brusco – acha que eu sou o médico? Padre Pio me falou que sua esposa está bem e eu fiquei quieto!”. Era isso mesmo que eu queria ouvir e partiu correndo para casa.

Felizmente, ela acabara de dar à luz a 4ª filhinha. que, claro, recebeu o nome de Pia. Nunca antes, minha mãe voltara aos afazeres domésticos dentro de dois ou três dias perfeitamente restabelecida como agora.


O batismo – A notícia espalhou-se rapidamente e toda a vizinhança – como acontece nos povoados – entrou em festa.A preocupação seguinte era o batismo.

Meu pai, que já não tomava nenhuma decisão sem a “autorização” do Padre Pio, foi consultá-lo sobre a escolha de uma data.

Surpreendentemente, o Padre lhe respondeu: Primeiro, peça licença ao Pe. Michele, porque eu mesmo gostaria de fazer esse batizado. Papai foi logo falar com o Pe. Michele de Nittis – pároco de San Donato, e lhe disse: “Pe. Michele, vim pedir licença para batizar minha filha no convento do Padre Pio”. O que está dizendo, Giovanni? A menina é desta paróquia e deve ser batizada aqui. Todas as insistências foram em vão. Papai voltou desiludido ao Padre Pio e lhe repetiu o que acabara de ouvir. O Padre estranhou muito a recusa e achou que ele também tinha direito de insistir: Giovannino, a menina nasceu pela intercessão de Nossa Senhora. Desejo muito administrar-lhe o batismo. Vá de volta falar com o Pe. Michele. Diga-lhe que eu o mandei e arranca-lhe essa licença. E lá se foi papai à paróquia: “Pe. Michele, Padre Pio me mandou aqui de novo. Ele gostaria de fazer esse batizado. A menina nasceu pela intercessão de N. Senhora”. O Pe. Michele ainda mais ferrenho: Giovanni, por favor, chega! Todos querem ser batizados e casados pelo Padre Pio, e eu o que faço? Fecho a paróquia?

Meu pai com a cola entre as pernas foi de volta e contou a última e mais decidida recusa. Mas o Padre é realmente teimoso! – exclamou. Não se preocupe! Leve a menina à paróquia para o batismo e, no quadragésimo dia traga-a até aqui”.

No dia seguinte ao do nascimento, Pe. Michele batizou minha irmãzinha com grande satisfação, pois havia nascido por milagre e, em reconhecimento, aceitou dar-lhe o nome de Pia. A parteira, como era o costume, segurava a criança nos braços.

Depois dos quarenta dias – antes desse tempo, segundo a tradição, nenhuma criança podia sair de casa – foi levada à igrejinha do convento para a cerimônia da “apresentação”. Os três pararam à entrada, onde a mãe recebeu uma vela acesa. Enquanto se proclamava em voz alta o Evangelho da Apresentação de Jesus no Templo, o cortejo avançou até o altar, para só ali, religiosamente concluir o rito. Ato contínuo, meu pai levou a menina à sacristia, onde o Padre Pio os aguardava. Carinhosamente pousou-lhe a mão chagada sobre a cabeça e a abençoou.


Fonte: Padre Francesco Savino