Padre Pio teve que explicar os próprios estigmas



PADRE PIO DE PIETRELCINA (1887-1968) teria tido os estigmas de verdade? Ou tratava-se dum fenômeno que se explica pela parapsicologia, por auto-sugestão, por esquizofrenia, histeria ou qualquer outro desequilíbrio?
Padre Pio teve dois diretores espirituais: Padre. Bento de São Marcos in Lamis, desde outubro de 1905 até 1922 e Padre. Agostinho de S. Marcos in Lamis, desde fins de outubro de 1907, quando Pio era ainda simples seminarista, até...
Na correspondência entre Frei Pio e esses diretores espirituais, várias vezes encontramos referências diretas sobre os estigmas. Padre Pio devia revelar a seus diretores espirituais, sob obediência, embora com relutância e até com repugnância, o que lhe acontecia nesse campo.

Extrai-se de: “Padre Pio Da Pietrelcina, EPISTOLARIO I, Edizioni “Padre Pio da Pietrelcina”, Convento Santa Maria delle Grazie –71013 SAN GIOVANNI ROTONDO, 4ª edição, 2004” -. Este volume contem as cartas entre os dois Diretores Espirituais e Padre Pio: 630 cartas, entre 02 de janeiro de 1910 e 11 de maio de 1922; (mas houve outras cartas que se perderam ou foram destruídas).
Cita-se, no início: carta, número, autor, destinatário, local, data; e, no fim, as páginas do Epistolario I.

Chamo a atenção para o que Padre Pio já em 29/11/1910 (carta n. 23), com apenas alguns meses de padre, pedia ao diretor espiritual Padre Bento de S. Marcos in Lamis: “... Há bastante tempo sinto em mim a necessidade de oferecer-me ao Senhor como vítima pelos pobres pecadores e pelas almas do purgatório. Este desejo foi crescendo sempre mais no meu coração de tal forma que agora se tornou, estaria por dizer, uma forte paixão. Na verdade, fiz mais vezes esta oferta ao Senhor, esconjurando-o a derramar sobre mim os castigos preparados para os pecadores e para as almas do purgatório, até centuplicando-os para mim, contanto que converta os pecadores e receba logo as almas do purgatório no paraíso. Mas agora queria fazer esta oferta com a sua obediência. Parece-me que o queira de verdade Jesus. Estou certo que não terá nenhuma dificuldade para conceder-me a licença”. – E Padre. Bento concedeu-lha de boa vontade.

EIS COMO APARECERAM, AOS POUCOS, OS ESTIGMAS:
Carta 44 - Padre Pio a Padre Bento.
Pietrelcina, 08 de setembro de 1911
[Padre Pio com pouco mais de 24 anos de idade e 1 de sacerdócio].
... ”Ontem de tarde aconteceu-me uma coisa que não sei explicar e nem compreender. No meio da palma das mãos apareceu um pouco de vermelho quase do tamanho duma moeda, acompanhado também de uma forte e aguda dor no meio daquele pouco de vermelho. Esta dor era mais sensível no meio da mão esquerda, de tal forma que permanece até agora. Também debaixo dos pés sinto um pouco de dor.
Este fenômeno há quase um ano que se repete (logo, os estigmas tiveram início em setembro de 1910), porém agora, já fazia algum tempo que não o sentia. Não se inquiete, porém, se agora, pela primeira vez, lho revelo; porque fui sempre vencido por aquela maldita vergonha. Também agora, se soubesse quanta violência tive que me fazer para dizer-lho! Muitas coisas teria para dizer-lhe, mas falta-me a palavra; digo-lhe somente que as batidas do coração, quando me encontro com Jesus Sacramentado, são muito fortes. Parece-me, às vezes, que queira até saltar-me do peito.
No altar, às vezes, sinto-me tomado de tal calor em toda a pessoa, que não consigo descrever-lho. A vista especialmente parece-me que queira transformar-se toda em fogo. Que sinais sejam esses, padre meu, ignoro-o”... (Epistolario. I, p. 234).
Carta 69 – Padre Pio a Padre Agostinho.
Pietrelcina, 21 de março de 1912.
... “Desde quinta-feira de tarde até sábado, como também na terça-feira é uma tragédia dolorosa para mim. O coração, as mãos e os pés parecem-me que são traspassados por uma espada; tal é a dor que sinto” ... [Nota: aqui Padre Pio não fala expressamente de estigmas, mas as dores estão localizadas exatamente no local dos estigmas]. (Epistolário I, p. 267).
Carta 287 – Padre Agostinho a Padre Pio.
S. Marco la Catola, 30 de setembro de 1915
[ Padre Pio com pouco mais de 28 anos de idade. - Padre Agostinho faz-lhe três perguntas]. 
... “Diz-me: 1º. Desde quando Jesus começou a favorecer-te com celestes visões? 2º. Concedeu-te o dom inefável dos santos estigmas, embora invisíveis? 3º. Fez-te provar e quantas vezes a sua coroação de espinhos e a sua flagelação? Julgo não parecer curioso, pois Jesus vê minha intenção. Tu deves rezar a Ele e responder-me e, embora eu esteja resignado a quanto Jesus quer, insisto e peço uma resposta” ... (Epistolario I, p. 659).
Carta 288 – Padre Pio a Padre Agostinho
Pietrelcina, 4 de outubro de 1915.
[Padre Pio esquiva-se de responder àquelas perguntas].
... “Perdoai-me se não apresento resposta àquelas interrogações que me tendes feito na última vossa. Para dizer-vos a verdade, sinto uma grande repugnância ao escrever sobre essas coisas. Não se poderia, ó padre, contemporizar de momento em dar satisfação às vossas perguntas?” ... (Epistolario I , p. 663).
Carta 289 - Padre Agostinho a Padre Pio
S.Marco la Catola, 07 de outubro de 1915.
[Padre Agostinho insiste em obter resposta].
... “Pedes-me, enfim, para contemporizar nas respostas aos meus quesitos. Para dizer a verdade, eu sinto no coração o dever de insistir: creio que esta insistência não desagradará a Jesus, nem deves continuar sentindo repugnância em obedecer, porque, não duvides, tudo redundará para glória de Deus e salvação nossa. Caso o desejes, responde-me por meio duma carta reservada: Jesus me fará manter o segredo; tu sabes que nunca falei a não ser a almas às quais Jesus quer e quando Jesus o quer. Porque, então, tanta relutância? Tu deves ser sincero, deves dizer-me tudo: melhor, roga a Jesus que te faça revelar-me também qualquer outra coisa que eu não sei ou não me ocorre pedir-te. Jesus te ajude e te abençoe” ... (Epistolario. I, p. 665 s).
Carta 290 - Padre Pio a Padre Agostinho.
Pietrelcina, 10 de outubro de 1915.
[ Padre Pio enfim responde às perguntas do diretor espiritual].
...”Em vossa decidida vontade de saber ou melhor de receber resposta àquelas interrogações, não posso não reconhecer a expressa vontade de Deus, e com mão trêmula e coração trasbordante de dor, ignorando a verdadeira causa disso, disponho-me a obedecer-vos.
Pela primeira vossa pergunta, quereis saber quando Jesus começou a favorecer a sua pobre criatura com celestes visões. Se não me engano, estas devem ter iniciado não muito depois do noviciado (nota: noviciado feito de janeiro 1903 a janeiro 1904, entre 16 e 17 anos de idade).
A segunda pergunta é se lhe concedeu o dom inefável dos seus santos estigmas.

A isto deve-se responder afirmativamente, e a primeira vez que Jesus quis digná-lo deste seu favor, foram visíveis, especialmente numa mão, e sendo que esta alma, em razão de tal fenômeno ficou estarrecida, rogou ao Senhor que lhe retirasse um tal fenômeno visível. Daquele momento não apareceram mais: porém, desaparecidas as chagas, nem por isso desapareceu a dor agudíssima que se faz sentir, em especial em alguma circunstância e em determinados dias.
A terceira e última vossa pergunta é: se o Senhor lhe fez provar, e quantas vezes, a sua coroação de espinhos e sua flagelação.
A resposta também a esta pergunta deve ser afirmativa; quanto ao número não saberia determiná-lo. Somente o que posso dizer-lhe é que esta alma, há vários anos, padece isso, e quase uma vez por semana.
Parece-me ter-vos obedecido, não é verdade?” ... (Epistolario I, p. 669).

Carta 500 – Padre Pio a Padre Bento
San Giovanni Rotondo, 21 de agosto de 1918.
[Transverberação: 5 a 7 de agosto de 1918 – Padre Pio com pouco mais de 31 anos de idade e 8 de ordenação sacerdotal. Nota: Trata-se duma longa carta dirigida tanto ao Padre Bento como ao Padre Agostinho (com pequenas variantes), pela qual se mostra extremamente angustiado, desolado...]
“... Estou cansado de tanto cansar os guias e os suportes e somente a obediência me serve de amparo para não me abandonar a um abandono completo. Em força desta (obediência) sinto-me induzido a manifestar-vos o que me aconteceu no dia cinco à tarde até o dia seis do corrente.
Não consigo dizer-vos o que me aconteceu neste período de superlativo martírio. Estava confessando os nossos rapazes (seminaristas capuchinhos) na tarde do dia cinco, quando repentinamente fui tomado por um extremo terror à vista dum personagem celeste que se me apresenta diante do olho da inteligência. Tinha na mão uma espécie de instrumento, semelhante a uma longuíssima lâmina de ferro com uma ponta bem afiada, de cuja ponta parecia lançar fogo.
Ver tudo isso e observar o dito personagem jogar com toda a violência o supracitado instrumento na alma, foi tudo uma coisa só. Com dificuldade emiti um lamento, sentia-me morrer. Disse ao rapaz que se retirasse, porque me sentia mal e não tinha mais forças para continuar.

Este martírio durou, sem interrupção, até a manhã do dia sete. O que sofri neste período tão lutuoso não sei dize-lo. Percebia que até as vísceras eram rasgadas e estraçalhadas com aquele instrumento, e tudo era metido a ferro e fogo. Daquele dia para cá me sinto ferido de morte. Sinto no mais íntimo da alma uma ferida que está sempre aberta, que me causa espasmos constantes.
Não é esta uma nova punição que me é imposta pela justiça divina? Julgai-o vós quanto de verdade há nisto e se eu não tenho todas as razões para temer e de estar numa extrema angústia” ... (Epistolario I, p. 1065 s).

NOTA BENE: 1.“Transverberação, por alguns chamada “assalto do Serafim”, é uma graça santificadora. De acordo com a clássica doutrina de São João da Cruz, a alma “incendiada de amor de Deus” é “interiormente tomada de assalto por um Serafim”, o qual, queimando-a, “traspassa-a até o intimo com um dardo de fogo”. A alma assim ferida é tomada por uma suavidade deliciosíssima, Santa Teresa de Jesus foi protagonista deste extraordinário fenômeno. Também o Padre Pio (como descrito acima). (Epistolario I, p. 148-149). [NOTA: “Após a morte de Santa Teresa de Ávila, seu corpo foi autopsiado, e então a ciência pôde comprovar que o coração estava realmente ferido por um dardo, porém cicatrizado. Hoje ele se conserva numa pequena igreja dos Carmelitas descalços, em Alba de Tomes (Espanha). Antes do Padre Pio, aquele era tido como o caso mais importante de transverberação, codificado nos tratados de teologia mística por São João da Cruz, discípulo de Santa Teresa” – Em Padre Pio, o Santo do Terceiro Milênio, Olivo Cesca, 2ª edição, p. 103, nota 9].
2. Estigmatização: “A transverberação no Padre Pio foi como o prelúdio da estigmatização. Enquanto a primeira é uma graça santificadora, a segunda é antes carismática, concedida por Deus em vantagem dos outros. No nosso caso pode-se também considerá-la como chaga de amor, porque é, por assim dizer, o complemento, a exteriorização e a projeção da ferida da alma” (Epistolario I, p. 152).
Carta 502 – Padre Bento a Padre Pio.
S. Marco la Catola, 27 de agosto de 1918.
[Padre Bento, reitor provincial e diretor espiritual do Padre Pio explica-lhe o sentido desse fenômeno - transverberação].

“Piuccio caríssimo,
nada de abandono, nada de justiça vingativa, nada de indignidade de vossa parte, merecedora de rejeição e de condenação.
Tudo o que acontece em vós é efeito de amor, é prova, é vocação a corredimir, e, portanto, é fonte de glória. Posto isto como certo e fora de dúvida, caem as ânsias e as trepidações que o inimigo suscita em razão de seu malvado prazer em atormentar e que o sumo bem permite, sempre para o fim acima recordado.
Declarar-vos um ‘espinheiro’ que atormenta o amável Senhor e conhecer ou re-conhecer tal indignidade como uma realidade evidente, fúlgida, que não deixa lugar sequer à sombra do contrário, é uma solene mentira, uma encenação de vivas e lampejantes cores, que o valente artista das trevas, tão pérfido quanto excelente em realçar nos seus quadros os claros-escuros, vos apresenta. Não é absolutamente verdade de terdes correspondido mal à graça e de terdes procurado com a infidelidade a separação de Deus, a repulsa ao seu amplexo e uma inimizade irreconciliável. Dominus tecum (o Senhor esteja contigo). Ele, o amor paciente, sofredor, inquieto, desencorajado, triturado e oprimido no coração, nas vísceras por entre as sombras da noite e mais ainda pela desolação no jardim do Getsemani está associado convosco na vossa dor e associando-vos à sua.

Eis tudo, eis a verdade e só a verdade. A vossa não é sequer uma purificação, mas antes uma união dolorosa.
O fato da ferida completa a vossa paixão como completou a do Amado na cruz. Virá talvez a luz e a alegria da ressurreição? Eu o espero, se lhe aprouver” ... (Epistolario I, p. 1068 s).
Carta 509 - Padre Bento a Padre Pio.
S. Marco la Catola, 19/10/1918.
...”Meu filho, diz-me tudo e claramente, e não por acenos. Qual é a operação do personagem? Donde escorre o sangue e quantas vezes ao dia ou por semana? O que aconteceu nas mãos e nos pés e como? Quero saber tudo, direitinho, e sob santa obediência.
De quê e donde se fundam os teus lamentos? Como podes dizer que Deus é desconhecido ao teu espírito se o coração te sangra de amor, fortíssimo na doçura e dulcíssimo na violência? E como podes dizer-te abandonado, se te dilacera de amor?.
Responde e diz-me tudo.... (Epistolario. I, 1091 s).
Carta 510 – Padre Pio a Padre Bento Estigmas visíveis e permanentes.
San Giovanni Rotondo, 22/10/1918.
[Padre Pio com pouco mais de 31 anos de idade e 8 de sacerdócio]
... “ O que dizer-vos a respeito do que me pedis sobre como acontecera a minha crucifixão? Meu Deus, que confusão e humilhação experimento em dever manifestar aquilo que Tu operaste nesta tua mesquinha criatura!
Foi na manhã do dia 20 do mês passado (setembro) no coro, depois da celebração da santa Missa, quando fui surpreendido pelo descanso, semelhante a um doce sono. Todos os sentidos internos e externos, bem como as próprias faculdades da alma encontraram-se numa quietude indescritível. Em tudo isto houve um total silêncio ao meu redor e dentro de mim; penetrou imediatamente uma grande paz e abandono à completa privação de tudo e a um descanso na própria ruína. Tudo isto aconteceu num relâmpago.
E, enquanto tudo isto acontecia, deparei com um misterioso personagem, semelhante àquele visto no dia 5 de agosto, diferente apenas só por ter as mãos, os pés e o lado gotejando sangue.
A vista dele aterrorizou-me; o que sentia em mim no momento não sei dizer-lho. Sentia-me morrer e teria morrido, se o Senhor não tivesse intervindo para sustentar o coração, que percebia saltar-me do peito.

A visão do personagem desaparece e eu me encontrei com mãos, pés e lado perfurados e vertendo sangue. Imaginai o tormento que provei então e que prossigo sentindo continuamente quase todos os dias.
A ferida do coração verte sangue freqüentemente, especialmente de quinta-feira de tarde até o sábado. Padre meu, eu morro de dor pelo tormento e pela subseqüente confusão que experimento no íntimo da alma. Temo morrer dessangrado, se o Senhor não atende aos gemidos do meu pobre coração, retirando de mim esta operação. Jesus, que é tão bom, far-me-á esta graça?
Tirará de mim ao menos esta confusão que experimento por estes sinais externos? Elevarei fortemente a minha voz a Ele e não desistirei de implorá-lo para que, por sua misericórdia, retire de mim não o tormento, não a dor, porque dou-me conta ser isso impossível e eu sinto o desejo de inebriar-me de dor, mas estes sinais externos que me são causa duma confusão e duma humilhação indescritível e insustentável.

O personagem sobre o qual pretendia falar-lhe numa carta precedente não é outro senão aquele mesmo de que vos falei numa outra carta, visto no dia 5 de agosto. Ele prossegue na sua operação sem parar, com superlativo tormento da alma. Sinto no meu interior um contínuo rumorejar, semelhante a uma cascata, que continuamente jorra sangue. Meu Deus! É justo o castigo e reto o juízo, mas usa de misericórdia para comigo. Domine, dir-te-ei sempre com o teu profeta: Domine, ne in furore tuo arguas me, neque in ira tua corripias me! (Ps. 6,2; 37,1- Traduzindo: Senhor, dir-te-ei com o teu profeta; Senhor, não me castigues com tua ira, não me corrijas com teu furor!). Padre meu, agora que todo o meu interior vos é conhecido, dignai-vos fazer-me chegar a palavra do conforto, no meio de tão feroz e dura amargura” ... (Epistolario I, 1093 ss).
Carta 515 – Padre Pio a Padre Bento
S. Giovanni Rotondo, 20/12/1918
... “Padre, o tormento que sinto no ânimo e no corpo em conseqüência das operações acontecidas e que perduram sempre, quando terão fim? Meu Deus, padre meu, eu não agüento mais. Sinto-me morrer de mil mortes e a cada instante. Sinto estar sendo devorado por uma força misteriosa, íntima e penetrante que me mantém sempre num doce, mas dolorosíssimo delíquio
O que é isto? Lamentar-se com Deus de tanta dureza, é culpa? E se é culpa, como se pode sufocar estes lamentos quando uma força à qual não se pode resistir, me impele sem podê-la frear de maneira alguma, a lamentar-me com o doce Senhor?
Há mais dias, experimento em mim uma coisa semelhante a uma lâmina de ferro que da parte baixa do coração se estende até o ombro direito em linha transversal. Causa-me uma dor muitíssimo pungente e não me deixa provar um pouco de descanso. O que é isso?

Este novo fenômeno comecei a percebê-lo depois de uma outra aparição daquele costumeiro personagem misterioso de cinco e seis de agosto e de 20 de outubro (Nota Bene: Padre Pio aqui se engana quanto ao mês: deve ser 20 de setembro e não de outubro), do qual vos falei, se vos recordais, noutras minhas cartas.
Dizei-me tudo na vossa resposta e tranqüilizai-me” ... (Epistolario I, p. 1105 s).
Nota 4 da carta 527 -. (Carta do Padre Bento ao Padre Agostinho):
“No dia 5 de março de 1919, Quarta-feira de cinzas, Padre Bento, depois de ter estado por alguns dias em San Giovanni Rotondo, escrevia desde Foggia ao Pe. Agostinho, e, entre outras coisas, dizia-lhe: “Teresa não se preocupou em ver no Piuccio o que fornece matéria de peregrinação de San Giovanni a São Marcos. Nele não são manchas ou sinais, mas verdadeiras chagas que perfuram as mãos e os pés. Eu, ademais, observei-lhe aquela do lado: um verdadeiro rasgão que verte continuamente sangue ou humor sangüíneo. Na Sexta-feira é sangue. Encontrei-o que mal se mantinha de pé: mas, ao deixá-lo, ele podia celebrar, e quando reza a missa, o dom fica exposto ao público, pois deve manter as mãos elevadas e nuas.” ( Epistolario I, p. 1129, nota 4).

A correspondência entre Padre Pio e os Diretores Espirituais foi interrompida em 1922 , quando a Santa Sé proibiu Padre Pio escrever ou receber cartas. Mas já temos aí matéria suficiente para se ter uma idéia.

Os estigmas desapareceram quando Padre Pio morreu, em 23 de setembro de 1968. (Duraram portanto, entre invisíveis e visíveis, de setembro de 1910 a setembro de 1968, por 58 anos) - 1. Para o desaparecimento, afirmou o Guardião do convento se San Giovanni Rotondo: “Apenas morto o Padre Pio, consciente do dever de deixar um testemunho oficial e autorizado, quis de propósito, junto com outras testemunhas, observar de perto os estigmas, e tive de constatar que as mãos não se apresentavam mais como as tinha visto outras vezes; mas as feridas quer das mãos como dos pés e do lado estavam completamente curadas, sem deixar qualquer sinal ou traço de cicatriz. Observem-se as fotos, que foram tiradas naquela mesma noite” (Alessandro da Ripabottoni, San Pio, cirineo di tutti, p. 248).

Padre Pio oferecia-se constantemente ao Senhor como vítima pelos pecadores e pelas almas do purgatório e fazia-o com muita seriedade. Deus aceitou esta oferta conferindo-lhe a missão de colaborar na redenção dos homens, e o Dom dos estigmas foi uma resposta de Deus àquela oferta de ser vítima pelos pecadores e pelas almas do purgatório. Pelo fato dele ter sido agraciado com o Dom dos estigmas atraiu para junto de si multidões de pessoas não só para satisfazer a curiosidade mas também para extraordinárias e numerosíssimas conversões. Padre Bento, conhecendo-o bem, dizia que ele, Padre Pio, tinha a vocação de co-redimir, naturalmente como simples instrumento de Deus, o que ele provou com seu maravilhoso e fecundíssimo apostolado.
Você ainda tem dúvidas sobre os estigmas do Padre Pio? Não foram um maravilhoso Dom de Deus para o bem de muitíssimas pessoas do seu e do nosso tempo?
São Francisco de Assis também tivera os estigmas e ninguém duvidou de serem Dom de Deus, uma graça carismática concedida por Deus em favor dos outros, para a conversão e santificação dos outros. 


Fonte: Compilado pelo Pe. Bernardino Trevisan (e-mail: dinotrevisan@terra.com.br)