Pe Pio tomou posse de fato da Ermida



Cláudio Casassola narra no texto A História da Ermida como veio a encontrar-se com o Padre Pio, entusiasmar-se por ele e como se dedica a propagar pelo mundo o conhecimento da vida e a devoção a ele.
Um gesto muito concreto foi a decisão de, às custas suas e da esposa, mandar construir no Cerro Comprido, Município de Faxinal do Soturno/RS, uma maravilhosa Ermida dedicada a este SANTO tão popular hoje. E, a seguir, a construção da Casa do Peregrino ao lado da Ermida, já em fase de acabamento. As idéias foram amadurecendo aos poucos. Há um detalhe que justifica o lugar da escolha para esta Ermida. Cláudio afirma que “o lampejo lhe ocorreu ao ler o episódio da bilocação do frei Pio, quando era ainda seminarista. De Santo Elias a Pianisi, onde estudava, frei Pio sentiu-se surpreendentemente transportado para Údine, norte da Itália, à casa dum maçom chamado Giovanni Battista Rizzani a quem prestou atendimento espiritual. Údine...! Cláudio ficou matutando: não foi de lá e do norte da Itália em geral que veio a maioria dos nossos imigrantes para a Quarta Colônia?”

Parece-me que Cláudio pensou: “Já que Deus concedeu ao frei Pio a graça da primeira bilocação, transportando-o do sul da Itália para Údine, para lá receber de Nossa Senhora uma tarefa importante, porque não poderia São Pio estabelecer-se agora na Quarta Colônia, onde muitos imigrantes do norte da Itália e seus descendentes estão radicados?”
Na verdade, pelo que já aconteceu na Ermida de Cerro Comprido, São Pio não foi apenas transportado em momentânea bilocação para o Cerro Comprido, mas na Ermida da Quarta Colônia e de muitas outras terras próximas e distantes ele tomou posse estável e definitiva, para desempenhar as tarefas que Deus generosamente lhe confiou, em favor dessa boa gente. Bastaria examinar o quanto já aconteceu nesta Ermida, a quantos e quantas São Pio já cativou e também agraciou. Pode-se dizer que já não há mais dia em que peregrinos aí não acorram, às vezes perfazendo a pé os mais de 4 quilômetros de rampa bastante íngreme, para pedir ou agradecer graças, também extraordinárias. E existem devotos dele que se declaram deveras transformados, tendo descoberto o verdadeiro sentido da vida, sacudindo o comodismo, a mediocridade, tocados pela intercessão do Padre Pio. Não se trata de acaso, mas de verdadeira Providência de Deus, que em vida carinhosamente preparou e agora nos põe à disposição este Santo poderoso. Também as celebrações da Eucaristia que acontecem na Ermida são de encantar, despertando em quem delas participa o desejo de retornarem freqüentemente (há os que retornaram em pouco tempo dezenas de vezes e mais). Aliás, pode-se dizer que na Ermida não se “assiste” à Missa, mas dela todos participam, ou melhor, vivem-na, de tal forma que de lá sai-se mais leve e alegre, e disposto a testemunhar no dia-a-dia esse encontro profundo com o Cristo. Há pessoas que praticamente têm cadeira cativa na Ermida para os dias das celebrações das Missas, como por exemplo a violeira Inês Dalmolin e um grupo de cantores da Paróquia de Faxinal que ajudam a dinamizar a celebração, bem como alguns outros devotos. Um caso especial é o do Dr. Leoveral Antonio Peronio (Advogado) com sua esposa Dona Maria Neusa Rodrigues Peronio, que de livre e espontânea vontade organizam excursões de peregrinos a partir de Santa Maria (mais de 60 kms distante): Do dia 23 de setembro de 2004 (aniversário da morte do Padre Pio) até 28 de maio de 2006, já estiveram 21 vezes (uma vez por mês) levando grupos de peregrinos, até de 60 pessoas por vez, com dois ou três Microônibus. Apesar da trabalheira e transtornos que isso dá, fazem-no com muita alegria e carinho. Por certo não haverá Igreja, Capela ou Ermida de São Pio que tenha um casal tão devoto de São Pio e tão zeloso em despertar peregrinos para se encontrarem com o Santo.

O Bispo Diocesano de Santa Maria, Dom Hélio Adelar Rubert, ao fazer a Visita Pastoral à Paróquia São Roque de Faxinal do Soturno, em junho de 2005, no dia 12, quis completá-la com um encerramento festivo na Ermida de São Pio, no Cerro Comprido, tendo ele mesmo, disfarçadamente, subido a pé, a partir da Casa Paroquial até à Ermida. Surpreendeu os paroquianos e visitantes, disfarçado até entre os que com ele subiam a pé.
Muitas coisas lindas poderiam ser relatadas aqui. Recupero parte duma “historinha” que se encontra na “Voz da Ermida de julho de 2005” (conferir no Site acima). Um Sr. recém formado na Universidade Federal de Santa Maria, a 6 de maio de 2005 defendeu a tese com êxito (fizera pesquisas nos Estados Unidos). A convite do Cláudio Casassola visitou a Ermida do Cerro Comprido e ficou logo cativado. “Tive uma impressão extremamente agradável do ambiente pitoresco da igrejinha. O que, porém, mais me chamou a atenção foi a pintura central, onde se reflete a grande afinidade entre Jesus e o Padre Pio”... Concentrou-se e pôs-se a rezar por diversas intenções. Fez inclusive uma promessa: Caso se saísse bem no concurso público de professor, subiria o Cerro Comprido a pé e descalço. No dia seguinte já foi procurado para a oferta dum ótimo emprego. Prossegue: “Tudo acertado, vibrei e comecei a agradecer, e o fazia seguidamente. Logo que pude, fui pagar a promessa. Minha esposa e meu filhinho me deixaram perto da placa: CAMINHO À ERMIDA e seguiram de carro para me esperar lá em cima. Faziam muitos anos que meus pés não apalpavam o chão tão duro, terra molhada, fria... e tantas pedras. Naqueles momentos éramos eu, a estrada e a poesia da natureza. Silêncio total. Sozinho, longe dos ruídos urbanos, rezei e repensei minha posição diante da vida..... Emocionado, seguia caminhando, e às vezes tentava até acompanhar o canto dos pássaros... Lá em cima nos abraçamos e juntos, diante do bondoso e milagroso Padre Pio, agradecemos por tudo, em especial, pelo presente sobrenatural da Fé” (realce meu: o agradecimento especial não foi tanto pelo ótimo emprego conseguido...mas... ).

Muitas outras historinhas parecidas poderiam ser apresentadas, umas que são contadas oralmente e outras que permanecem no recôndito do coração. ----
Já que a idéia de escolher o local para a “Nossa Ermida” despertou pela leitura do episódio daquela bilocação, porque não descrever como ela aconteceu de verdade e como Padre Pio cumpriu a tarefa que Nossa Senhora lhe confiara na ocasião?
O Pe. Alessandro da Ripabottoni (um perfeito conhecedor da vida do Padre Pio) relata esse episódio com bastantes detalhes, em seu livro SAN PIO DA PIETRELCINA, Cireneo di tutti, Edizioni Padre Pio da Pietrelcina, San Giovanni Rotondo, 2003. Eis como ele apresenta o fato:
Um fato estranho e um fato raro... :
Depois de narrar o fato estranho, uma violenta importunação do demônio, o próprio Frei Pio começa a relatar por escrito o fato raro (da bilocação): “Dias faz, aconteceu-me um fato raro: encontrando-me no coro com Frei Anastácio, pelas 23 horas do dia 18 de janeiro de 1905 (seminarista ainda, não completados os 18 anos de idade), dei-me conta de estar num lugar distante, num palácio, onde o pai morria, enquanto uma menina nascia. Apareceu-me então Maria Santíssima que me disse: “Confio a ti esta criatura; é uma pedra preciosa em estado bruto, trabalha-a, lapida-a, torna-a o mais brilhante possível, porque um dia quero adornar-me dela...”
- “Como será possível, se eu sou ainda um pobre clérigo e não sei se terei a sorte e a alegria de me tornar sacerdote? E também, tornando-me padre, como poderei cuidar desta menina, estando eu muito longe daqui?”

Nossa Senhora acrescentou: - “Não duvides, será ela que irá a ti, mas antes encontrá-la-ás em São Pedro (isto é, na Basílica de S. Pedro em Roma)...”
Depois disto encontrei-me de novo no coro”. (Até aqui o relato do Frei Pio).
Isto Frei Pio escreveu em fevereiro de 1905. A folha de papel, com o relato, foi entregue depois ao Pe. Agostinho de S. Marcos in Lamis, seu diretor espiritual, o qual conservou-a zelosamente e, muitos anos após, entregou-a à Srta. interessada, a qual não quis que se divulgasse o seu nome.
A Senhora G.R. nasceu em Udine no dia 18 de janeiro de 1905, enquanto o pai morria e a mãe, chorando e orando junto ao leito do marido, via de improviso sair do quarto e afastar-se pela galeria do palácio a figura esvaída dum frade capuchinho, que ninguém tinha visto entrar.
A órfã e a viuva transferiram-se mais tarde para Roma junto a alguns parentes.
Em 1922 a órfã de pai, Srta. de 18 anos (portanto 18 anos após aquela bilocação do seminarista Frei Pio) e aluna do liceu, num fim de tarde de verão (europeu: junho-setembro), dirigiu-se à Basílica de São Pedro para confessar-se.
Em razão do adiantado da hora, era difícil encontrar um confessor, mas eis vir-lhe ao encontro um jovem padre capuchinho (segunda bilocação, agora do já Padre Pio). – “Padre – pede-lhe a Srta. – pode atender-me em confissão?”
O padre respondeu que sim e dirigiu-se ao segundo confessionário à esquerda de quem entra na Basílica.

Confessada, recebidos alguns conselhos e esclarecidas algumas dúvidas de fé, a jovem penitente aguardou que o sacerdote saísse do confessionário para beijar-lhe a mão. Mas, com grande surpresa e confusão, do confessionário não saiu ninguém porque não havia ninguém.
Nas férias de verão de 1923, (um ano após aquela confissão) a Srta., com uma tia e duas amigas, dirige-se a S. Giovanni Rotondo para conhecer o Padre Pio.
Era de tarde. O corredor, que da velha sacristia leva à clausura do convento, estava apinhado de fiéis e a Srta. G. R. encontrava-se na primeira fila.
Padre Pio, passando, olhou-a e disse-lhe: Eu te conheço, nasceste no dia em que teu pai morreu”, e deu-lhe a mão a beijar, abençoando-a.
No dia seguinte, no que ela chegou ao confessionário, ouviu dele: “Minha filha, finalmente vieste! Há quantos anos estou à tua espera...” E a jovem: “Padre, o que estais vendo em mim? Eu não vos conheço. É a primeira vez que venho a São Giovanni Rotondo. Acompanhei a tia. Talvez ‘deu-vos um branco’, trocastes-me por qualquer outra moça”. – “Não, não me enganei – responde-lhe o Padre Pio – nem te troquei por outra moça. Tu já me conheces. Aproximaste-te de mim no ano passado na Basílica de São Pedro em Roma”. Diz-lhe que aquele confessor era ele, confirma a autenticidade do escrito a seu respeito e a sua assistência na morte do pai e conclui: “Foste confiada aos meus cuidados por Nossa Senhora”.

A jovem, emocionadíssima, desata em choro e afirma: “Padre, já que vos pertenço, tomai conta de mim. Dizei-me o que devo fazer..., devo tornar-me religiosa?”
“Nada disto. Tu virás freqüentemente a San Giovanni Rotondo; terei cuidado de tua alma e conhecerás a vontade de Deus”.
Algum tempo depois, Pe. Pio concedeu-lhe o hábito de terciária franciscana, dando-lhe o nome de Jacoba. Ela casou, formou uma família cristã e continuou a dirigir-se com freqüência a San Giovanni Rotondo.
Quatro dias antes da morte do Padre Pio (portanto no dia 19/09/1968) confessou-se com o Padre Pio e ouviu dele: “Esta é a última confissão que fazes comigo. Agora dou-te a absolvição de todos os pecados cometidos desde o uso da razão até este momento”.
“Porquê, Padre?”
Já to disse que não posso mais atender-te em confissão, porque me vou”.

[E, de fato, ele morreu, como predissera.]
Allessandro da Ripabottoni, San Pio da Pietrelcina, Cirineo di tutti, p. 36 ss.

Podemos ressaltar duas coisas:
Em primeiro lugar, foi Nossa Senhora que se lhe apresentou naquela bilocação em Údine, confiando-lhe uma tarefa específica. Frei Pio já era um grande devoto de Nossa Senhora e continuou vida a fora. Não podemos entender Padre Pio sem uma devoção muito terna e profunda a Maria Santíssima, sem a reza contínua do rosário, sem os Grupos de Oração.
Em segundo lugar, Maria confiou ao Frei Pio uma tarefa bem específica: a direção espiritual duma pessoa, para levá-la não apenas a uma vivência comum da vida cristã, mas para encaminhá-la a uma vida de perfeição, à santidade. Tratava-se duma “pedra preciosa em estado bruto que era preciso trabalhar, lapidar, tornar o mais brilhante possível, porque Nossa Senhora queria adornar-se dela”. Padre Pio devia tornar-se um garimpeiro fornecedor de pedras preciosas a Nossa Senhora. E ele o fez como um ótimo mestre. A Direção espiritual de pessoas eleitas tornou-se uma tarefa característica do Padre Pio. Um bom grupo de pessoas seletas foram dirigidas por ele, buriladas, guiadas a uma vida de profunda espiritualidade. Isto quer pela orientação em colóquios pessoais, ou pelo acompanhamento por ocasião do sacramento da reconciliação, quer também pela correspondência epistolar. Existem livros impressos que reproduzem a correspondência entre Padre Pio e Pessoas por ele dirigidas, que nos demonstram como Padre Pio foi um exímio Diretor Espiritual das pessoas que a ele se confiavam.

Uma delas foi certamente G.R (ou então a Jacoba), que nasceu por ocasião daquela primeira bilocação do Frei Pio, e que lhe fora confiada expressamente por Nossa Senhora.
Padre Pio estabeleceu-se na Ermida do Cerro Comprido de Faxinal do Soturno, por intercessão de Nossa Senhora, a exemplo do que acontecera em Údine, para também aqui trabalhar, burilar, abrilhantar pedras preciosas para Maria e para Cristo. Certamente ele está encontrando, entre os que o visitam nesta Ermida, pessoas com muita simplicidade e disponibilidade para se deixarem guiar pelos caminhos da verdadeira santidade!
Cerro Comprido não é mais o que era antes, e não porque aquele grupo de famílias que aí sempre morou não fosse de gente fina; - mas porque um outro Inquilino juntou-se àquela gente boa e serviçal. Um Inquilino muito especial e poderoso de verdade.
Você que leu até aqui, se estiver de coração leve e alegre, pode chegar tranqüilamente até a Ermida de São Pio no Cerro Comprido. Certamente não vai se decepcionar. Melhor ainda se sua visita à Ermida for num dia de sol, para também contemplar os lindíssimos panoramas de lá do alto. No Cerro Comprido Natureza e Graça se entrelaçam. Até a Sagrada Escritura diz que no alto do monte sempre se está mais próximo do céu e de Deus..
Ressalta-se mais uma coisa: A Ermida no seu conjunto é uma obra de arte, uma jóia. Muito aconchegante, própria para a oração, para um encontro profundo com Deus e seus santos. As pinturas são muito lindas. Se Você chegar lá, queira observar a pintura do Padre Pio atrás do altar; ele está quase pregado junto a Cristo na cruz. Seu olhar estará lhe fixando de frente em qualquer parte da Ermida em que Você se achar. E tem mais, quando Você deixar a Ermida e descer para a “planície” ele continuará a segui-lo em qualquer parte, nas horas boas e nas horas tristes, pois ele, que lhe cativou uma vez, continuará a querer-lhe sempre bem. Que São Pio o abençoe!


Fonte: Introdução e Tradução do italiano do Pe. Bernardino Trevisan